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Os colossais: Conheça cinco anfiteatros romanos que não estão em Roma!


Vamos aos fatos: O Império Romano saiu conquistando meio mundo há mais de dois milênios atrás e deixou um legado incrível de arquitetura para a gente ver e se imaginar naquela época. Vem conhecer um pouco mais!



O mundo romano de antigamente vivia de entretenimento: artes cênicas, danças, competições, banquetes e até funerais eram verdadeiros espetáculos para a comunidade. Isso era levado tão a sério que diversas edificações foram construídas para a sua realização, como os anfiteatros. O mais conhecido do mundo é o Coliseu em Roma: construído em 72 d.C, com capacidade para 50 mil pessoas e com uma altura de 49 metros, é uma obra imponente e espetacular, considerada uma das 7 maravilhas do mundo moderno! Há pelo menos 200 monumentos similares à ele espalhados pelo mundo, uns escavados, uns totalmente em ruínas, outros muito bem conservados, por isso o Experimundo fez uma lista com cinco anfiteatros que valem a pena serem vistos e conhecidos.

Antes de mais nada, vale ressaltar a diferença entre anfiteatro e teatro romanos:

Anfiteatro: Arena oval ou circular rodeada de degraus ou arquibancadas que servia para combates dos emblemáticos gladiadores e de animais.

Teatro: Arena semicircular ou semioval que servia de palco para apresentações teatrais e de dança.

Vamos à lista:

 

#1 – Anfiteatro de Capua – Santa Maria Capua Vetere, região de Campania, Itália

Altura: 46 m
Data da construção: antes de 14 d.C
Capacidade: 45 mil pessoas

Conhecido também como Anfiteatro Campano, o segundo maior anfiteatro e talvez o primeiro do mundo (não se sabe a data exata, mas ele foi construído durante o império de Augusto, que morreu em 14 d.C.) é famoso entre os expectadores da série Spartacus, o campeão dos campeões de Capua. Perde em tamanho apenas para o Coliseu em Roma, mas suas passagens subterrâneas estão entre as mais preservadas. Já foi usado como fortaleza por príncipes e muitas de suas pedras foram usadas em edificações na antiga cidade de Capua, que virou Santa Maria Capua Vetere.

O que ver:

Santa Maria CV é uma cidade pacata, com várias igrejas, monumentos e está repleta de história, pois já foi uma das cidades mais importantes da Itália. Se fizer um tour por lá, não deixe de conhecer:

Arco di Adriano – Originalmente eram três arcos de tijolos, mas hoje restam apenas três pilares e um dos arcos laterais.  Está em ruínas, mas ainda vale uma visita!

Mitra – Descoberto em 1922 durante escavações no local, o pequeno santuário de culto à Mitra foi construído por escravos persas que trabalharam na construção do anfiteatro. Na estrutura subterrânea há um afresco do deus matando um touro.

Museu Arqueológico de Capua Antiga – Um pequeno museu com achados arqueológicos, pinturas e esculturas etruscas e romanas.

Como: Há trens que partem da estação Termini de Roma pela Treninalia até a estação de S. Maria Capua, que está a 20 min a pé do anfiteatro. O Artecard permite visitar o Anfiteatro, o Museu Arqueológico de Capua Antiga, o Museu dos Gladiadores (um anexo ao anfiteatro) e o Mitra.

 

#2 – Anfiteatro de Flávio – Pozzuoli, Província de Nápoles, Itália

Data: 70 d.C
Capacidade: 45 mil pessoas

O Anfiteatro de Pozzuoli é o terceiro maior do mundo, atrás apenas do Coliseu e do Anfiteatro de Capua e foi construído para substituir uma arena mais antiga e menor que já não comportava o público na época. As cinzas do vulcão Solfatara há mais de mil anos atrás enterraram parte do local, mas o seu interior ainda permanece intacto, permitindo aos visitantes conhecer todas as galerias subterrâneas e ver desde restos de jaulas onde os animais eram mantidos até engrenagens similares a elevadores que serviam para levanta-los para a arena. Ao que tudo indica, no anfiteatro ocorriam também encenações de batalhas no mar graças a mecanismos que inundavam o local para este fim. Hoje, hospeda um concerto musical ao ar livre.

O que ver:

Pozzuoli é uma província de Nápoles conhecida por um estranho fenômeno geológico ocasionado pela atividade vulcânica, que a faz subir e descer em relação ao nível do mar. A última vez que ocorreu um fenômeno como esse na região foi em 1983 e houve evacuação de mais de 30 mil pessoas. O local é uma enorme caldeira com pequenas crateras que emitem fumarolas de enxofre constantemente, uma verdadeira atração turística! Veja o que não pode ficar de fora do seu roteiro:

– Parque Regional de Campi Flegrei: Os “campos de fogo” estão sob uma imensa caldeira vulcânica em atividade e ainda são poucos explorados. Vulcões em forma de colinas, lagos e grutas podem ser visitados sem as multidões que visitam Pompéia, mas o cheiro de enxofre é forte! Experimente, nas visitas guiadas, a cozinha geotérmica, onde peixes frescos são preparados à 160° diretamente nas fumarolas do local, acompanhadas de vinho.

– Macellum: É um antigo mercado da região conhecido erroneamente como o Templo de Serápis, pois foi encontrada uma estátua do deus egípcio quando as escavações começaram. Quando a cidade está abaixo do nível do mar devido ao fenômeno geográfico, ele fica bem interessante, pois uma parte fica submersa.

– Beira mar de Pozzuoli: Não deixe de conhecer os inúmeros restaurantes do local, a vida agitada noturna e claro, pegar uma prainha!

Como: Há trens que partem da estação Termini de Roma até Nápoles e Pozzuoli. A estação Pozzuoli está a apenas 5 minutos dos principais pontos turísticos. Antecipe-se garantindo o Artecard, um cartão que dá acesso sem fila aos locais de arte e cultura em toda a região e também ao sistema de transporte público!

 

#3 – Anfiteatro de El-Djem, El Djem, Tunísia

Altura: 35m
Data: 238 d.C
Capacidade: 35 mil pessoas

Patrimônio da Humanidade pela UNESCO é o maior anfiteatro romano do continente africano e um dos maiores do mundo, ficando atrás do Coliseu e dos anfiteatros de Capua e Pozzuoli. Construído totalmente de pedra em um terreno plano, historiadores afirmam que ele não foi concluído devido a turbulências políticas na época. Já serviu como fortaleza no século 5 d.C e, no século 17, algumas de suas pedras foram saqueadas para a construção da aldeia de El Djem. Usado para as gravações de algumas cenas do filme Gladiador (2000), hoje é utilizado para concertos e para o Festival Internacional de Música Sinfônica de El Djem, apresentado à luz de velas.

O que ver:

A cidade de El Djem (ou El Jem), conhecida antigamente como Thysdrus, foi muito próspera devido ao cultivo de azeitonas e à produção de azeite, existentes até hoje. É a única no mundo com três anfiteatros, sendo o de El Djem o maior e o mais bem preservado. Se fizer um tour pela região, não deixe também de ver:

– Museu Arqueológico de El Djem: localizado há 1 km de distancia da arena, expõe objetos romanos, esculturas e uma série de mosaicos encontrados em escavações na região.

– Sítio Arqueológico: Ruínas de uma casa de banho pública e um complexo de casas de luxo da época romana, com pisos e paredes de mosaico.

Como: É possível pegar uma van chamada “Louage” para El Djem a partir de qualquer cidade na Tunísia, mas cada uma só parte quando estiver com sua lotação máxima, ou seja, nove passageiros. Se estiver em Sousse ou Sfax, cidades costeiras com praias belíssimas, basta pegar um trem. Há a possibilidade também de pedir um táxi na recepção dos inúmeros hotéis e resorts da região, porém o preço é bem mais alto.

 

#4 – Arena de Nimes – Nimes, França

Altura: 21m
Data: 100 d.C
Capacidade: 24 mil pessoas na época

Nimes é o mais preservado anfiteatro do mundo e uma maravilha da engenharia romana, possuindo forma oval e uma simetria perfeita, já que todos os espectadores tinham visão panorâmica da arena. Demorou 39 anos para ser construído e por quase 300 anos foi usado como arena de combate de gladiadores e de feras, até ser transformado em fortaleza. Durante a Idade Média um castelo foi construído dentro do anfiteatro e mais tarde um pequeno bairro com mais de cem casas e duas igrejas foi desenvolvido dentro dele, abrigando cerca de 700 habitantes. Em 1853 o anfiteatro foi restaurado para servir como praça de touradas e hoje sedia diversos eventos públicos, como corridas de touros, eventos espanhóis, desfiles e espetáculos musicais. Todo ano, há uma encenação dos jogos romanos.

O que ver:

A cidade de Nimes está localizada no sul da França e é conhecida como a “Roma francesa” devido à coleção de edifícios romanos. Uma curiosidade muito interessante é que o jeans nasceu lá. A cidade é famosa pela indústria têxtil e o termo Serge de Nîmes (sarja de Nimes) deu origem ao termo denim, já que a pronúncia de Nimes em francês é “Nim”! Com clima mediterrâneo, oferece restaurantes com bons vinhos e um único dia é suficiente para visitá-la. Além do Anfiteatro, é possível conhecer:

– Maison Carrée: Construção de 16 a.C, é um dos templos romanos mais preservados do mundo. Hoje é um museu de antiguidades romanas.

– La Tour Magne: A torre fica no ponto mais alto da cidade, onde existiam as muralhas romanas que tinham 6km de extensão. Delas, só sobraram duas portas e a torre, de 30 que existiam!

– Les Jardins de la Fontaine: Um parque público cheio de estátuas belíssimas. Boa pedida para um descanso. Lá, é possível conhecer o Temple de Diane.

Como: Se estiver em Paris, há trens que partem diariamente a partir das estações Gare Lyon e Bercy, direto para Nimes, com tempo de viagem de no máximo 4h.

É possível adquirir ingressos para as entradas no “tour romano” que inclui o Anfiteatro, o Maison Carrée e a Tour Magne por até € 12 no site das Arenas.

 

 

#5 – Anfiteatro de Avenches – Avenches, Suíça

Altura: 18m
Data: 130 d.C
Capacidade: 16 mil pessoas

O anfiteatro romano de Avenches é o mais bem preservado da Suíça e foi construído a partir de uma inclinação natural, sendo que séculos mais tarde (já na Idade Média), foi construída uma torre residencial pelo bispo de Lausanne, acima de uma de suas entradas. Essa torre hoje abriga o Museu Romano que exibe objetos descobertos nas escavações, entre eles o busto de ouro do Imperador Marco Aurélio. A arena recebe desde 1995 eventos culturais, como o Festival de Ópera de Avanches (Julho), o Rock Oz’Arènes e o Aventicum Musical Parade (Setembro).

O que ver:

A cidade de Avenches (outrora chamada de Aventicum) está localizada a 45 minutos de trem de Berna e possui cerca de 4mil habitantes. O que há hoje é uma mistura do que sobrou do Império Romano e da era medieval e um dia basta para conhecer o que há de mais importante no lugar. Além do Anfiteatro e do Museu, é possível ver:

– O Castelo de Avenches, que hoje é um salão musical e abriga uma galeria de arte;

– As fortificações que rodeiam a cidade, com portais, muralhas e torres;

– O Santuário “Cigognier” ou “Cegonha”, com suas imponentes colunas;

– As ruínas das casas de banho públicas (Termas);

– O Teatro de Avenches com seu formato semi circular, como todos os outros teatros romanos.

Como: Se você não quiser se aventurar por conta própria, a Avenches Tourisme oferece passeios de até duas horas com guias em inglês, italiano, alemão e francês.

 

 

 

 

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